Por ser filho de ex-atleta sempre fui ligado aos esportes, embora afastado por um bom tempo e retomando agora, e em conversas, e até mesmo em discussões, gosto de usar o esporte como analogia.
Pois então vamos lá.
O relacionamento entre um casal é como a relação entre um atleta e seu clube, independente da modalidade. Você verá onde quero chegar.
Negociação de contrato entre atleta e clube: é aquela fase em que o casal está se conhecendo, saem para tomar um chopp, cinema, festas. O flerte. Ah, o flerte. Chegar de mansinho e sussurrar algo no ouvido da outra pessoa para ver sua reação, ver se te dá abertura. Flertes e negociações de contrato são iguais. É neste momento que descobrimos o que pode é o que não pode. Quais os benefícios da relação e o que deverá ser deixado de lado. Condições aceitas por ambas as partes, vamos para o próximo passo.
Assinatura de contrato: é o começo do namoro. Com toda a empolgação do dirigente ocorre a apresentação oficial para torcida, com a coletiva de imprensa, ou, no caso, apresentação para a família. Alguns torcedores torcerão o nariz. Mas todos tem a ciência que, por algum tempo, terão que torcer por aquele jogador. Ou simplesmente aguentá-lo na escalação do encontro de família e vaiá-lo quando este toca na bola.
Temporada e campeonatos: cada campeonato disputado é uma situação a ser superada pelo casal. Clubes tem, em média, 3 ou 4 campeonatos por ano. Casais tem 5 ou 6 por dia.
Resultados positivos e negativos: a temporada não é fácil. Há altos e baixos. Jogos fáceis e difíceis. Em um universo de clube grande, mais vitórias que derrotas. Mas algumas derrotas marcam muito, como o Maracanaço, o Mazembe e o Anapolina. E a temporada segue.
Títulos: os títulos, na vida do casal, são aqueles momentos marcantes. Viagens, passeios, jantares. Alguns clubes passam anos sem título algum. Outros levantam todos os canecos disputados. E há os que, vez ou outra dão uma volta olímpica. Enquanto o clube está gabando o jogador contratado lá no início do texto ainda serve.
Consagração: filhos são o Mundial FIFA do casal. As derrotas anteriores são esquecidas, o plantel é valorizado e todo mundo e maravilhos e dá toques de letra. O ópio do relacionamento. Filhos são maravilhosos. Mudam a perspectiva de tudo, a forma como se vê o mundo. Mesmo efeito de um Mundial para o perna de pau. O ruim passa a ser bom. Ou a torcida o mais facilmente.
O ano após a consagração: é o ano em que o nosso jogador contratado tem que provar que realmente merece o posto de ídolo que veio com as vitórias anteriores. Como já ganhou tudo que tinha para ganhar, acaba de acomodando, e os Mazembes começam a voltar à memória. O rendimento cai e a relação clube-jogador não é mais a mesma.
O ostracismo (ódio): -Tira esse cara daí, grita a torcida. Ninguém mais quer saber do jogador que fez parte do grupo vencedor. Afinal, se já alçou voos tão altos, por que agora está nesta fazendo corpo mole? Por que não rende? Por que este cara não se esforça?
Rescisão de contrato: é o fim do relacionamento. Pelé perde a camisa 10. Suas vitórias e seu empenho foram esquecidos. Só o que se lembra é do Matacanaço. É do Kidiaba. É daquela camiseta ridícula do Tavarelli.
O ídolo é queimado e segue o mesmo caminho de Falcão, Fernandão e Ronaldinho, virando 'persona non grata'.
O contrato acaba e a relação jogador-clube (marido-mulher) não existe mais.
Apesar da magoa entre as partes, sempre há a lembrança do que conquistaram juntos, e a volta para o antigo clube sempre é ventilada (acho este termo horrível).
Mas, infelizmente, o tempo passou e só resta a lembrança dos dias de glória. Estes não morrem.
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Texto escrito e postado através do telefone celular, o que justifica possíveis discrepâncias.
Maldito corretor ortográfico.
Malditos dirigentes.


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